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Natividade - A essência e o aparato

Opinião

"Nesta época natalícia, saibamos conferir significado aos ensinamentos e exemplos do Mestre, esse grande Espírito que reverenciados com o nome de Cristo"

"O mundo celebra o meu nome e as tradições em volta do que Eu sou, Mas Eu permaneço estrangeiro, percorrendo o Universo e atravessando os séculos sem encontrar, entre os povos, quem compreenda a minha vontade". Eis, em toda a beleza, uma parábola de vigor descritivo e, em última análise, a história da prática dos cristãos nos decorrentes dois mil anos após as mensagens heráldicas anunciadoras das novas de grande alegria do Príncipe da Paz.

Que importa, pois, que Cristo nasça mil vezes em Belém, se não nascer nos nossos corações? As mensagens imorredouras contidas nos seus exemplos e parábolas – modo pictórico para melhor apreensão do conteúdo pelas multidões – foram projectadas nos séculos, tocando seres humanos de boa vontade. Os moinhos de deus moem muito lentamente mas com perfeição e, com as sarças do caminho que nos consciencializarão, ir-nos-emos encaminhando para esse distante acontecimento, em que surgirão um novo Céu e uma nova Terra.

Mas não compreender a verdade, como no início se refere, reporta-se a os homens terem combatido por um Deus sem sentido e, com dogmas, éditos e credos, enviarem-se uns aos outros às chamas do inferno. Inúteis, odiosas as excomunhões entre Igrejas irmãs durante séculos, acabando por ser levantadas ultimamente. O perdão recentemente pedido pelo papa à Humanidade por inomináveis crimes cometidos sempre em nome de Deus, foi-o de modo incipiente e aligeirado e, como tal, de nula valia.

A intolerância fundamentalista levou a muita carne humana assada e outras aberrações nas saturnais animalescas e infernais da Inquisição. Destaque-se o sinistro francês Dominique de Gusmon, que trouxe ao mundo tal Inquisição e de que, agora, ouvimos falar infamemente como S. Domingos! Mas, em contrapartida, muitos seres humanos, verdadeiramente cristãos, alguns deles mártires das fogueiras, agigantaram-se como sábios, artistas, clérigos dignos, filósofos, um Francisco de Assis, Teresa d´Ávila, madre Teresa de Calcutá, esta paramentada apenas com um serviço efectivo junto de leprosos e prostitutas indianos, em vez de encerrada na inactividade conventual como "rata de sacristia".

São os pequenos actos fraternais diários nunca esgotados que nos promovem a cireneus dos irmãos que nos acompanham ou precedem na jornada, ascendendo muitas pequenas luzes na escuridão e que, juntas, se transformam em clarão radiante. Ma correnteza da vida devemos dão o nosso contributo mesmo pequeno, nunca desanimando. E façamo-lo, orando e laborando, "com o malhos dando e a Deus rezando". Tal como o Sol se dá todo indistintamente à Terra em ondas de luz e calor, também, à nossa escala, nos devemos tornar sóis nascentes, revestindo-nos de humildade, até porque quanto mais avançado é o espírito, mais humilde se apresenta. E que o desânimo não nos domine, mau grado possamos cair várias vezes como a criança que começa a levantar-se e a tornar-se homos erectus.

Quem não tem tempo para o bem, tem tempo para o mal, para ter infidelidades, para dar voltas na cama e para se lamentar. Isto é inerência dos que têm vontade débil, dos que fazem do egocentrismo seu estatuto, dos que perdem o autodomínio à mais ligeira provocação, dos insensíveis.

Assim como é o leme e não a tempestade que determina a nossa rota, também é a decisão firmada em nossa mente que nos deve impelir para afrente e para cima, continuamente, pois toda a idade tem a sua juventude. Somos responsáveis pelos nossos pensamentos, génese de tudo o que existe, dado que os pensamentos tendem a materializar-se e, como é a virtude e não a inocência que nos fazem ascender, devemos como preceituado, conhecer o bem e o mal e reter apenas o bem, até que todo o mal é temporário e tem a benéfica função de nos proporcionar experiência e tomar consciência do resultado havido.

Todo aquele que passa pela vida como em permanente Primavera em flor, afagado pela brisa do vento sul, sem o desempenho de qualquer gesto de simpatia e algum serviço, diminuto que seja, aos seus irmãos carenciados e com o látego da cor, procede como o cavaleiro de "Sir Launfal", que, partindo do seu castelo à conquista do Santo graal pelos quatro cantos do mundo, logo à partida, desprezou um leproso que encontrou, atirando-lhe com nojo e para dele se livrar uma moeda de ouro que o faminto rejeitou e, regressando já velho e alquebrado, reencontra o mendigo transubstanciado de Cristo – o Santo Graal que procurou em vão toda uma vida – e tão perto estava.

Nesta época natalícia, saibamos conferir significado aos ensinamentos e exemplos do Mestre, esse grande Espírito que reverenciados com o nome de Cristo, e meditar nas lições implícitas do pecador e o publicado, do dracma perdido, do vintém de uma viúva pobre e de tantas parábolas de conteúdo plenificante e de imagens imprevistas de verdades perene. E, para lá da caducidade do tempo, vivamos os sonhos da Eternidade com pendor para o belo, justo e bom.

Como consequência nata da Natividade, façamos do Natal um momento sempre renovado de vivência do espírito das Boas Novas e congraçamento cristão. É também nisto que residem as louváveis iniciativas de solidariedade social que vão tomando forma, e não nas saturnais do consumismo incontinente e aparatoso de muitos.

Opinião

Barcelos Popular
23 de Dez de 2009 0

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