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A culpa não é só do telemóvel

Editorial assinado por Francisco Fonseca, director do Barcelos Popular

Os resultados do PISA 2025, o estudo que avalia as competências dos estudantes da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico), foram uma desgraça. Todos o reconhecem, mas ninguém assume as suas responsabilidades, com excepção do ex-ministro da Educação, João Costa, que já veio o público reconhecer que não fez tudo bem e se penitenciou por algumas das decisões que tomou como a de acabar com exames nacionais de avaliação no final do 1º e 2º ciclos cujo objectivo era monitorizar as aprendizagens.

Mas, a verdade é que nunca os alunos tiveram tão maus resultados em competências como a leitura e a escrita, por exemplo.

Muitas análises têm sido feitas e há uma que é comum a toda a OCDE como é o caso da massificação do uso do telemóvel. Segundo especialistas, substituiu-se a leitura de livros, documentos, jornais e outras publicações pelo uso excessivo do telemóvel. Os jovens passaram a gastar a sua concentração em vídeo-jogos e outras produções e arrumaram a leitura para os mínimos a que a escola obriga. E mesmo esse mínimo não é cumprido na integra. 

Se o jovem não lê nem escreve habitualmente, deixa de estruturar e desenvolver a capacidade de organização do pensamento, a destreza da criatividade, a reprodução de ideias, a representação real e subjectiva que a escrita permite. 

Mas o problema não se pode confinar apenas ao uso excessivo do telemóvel, há outros responsáveis: a televisão consumida em exagero, os grupos digitais onde se escreve por mensagem amputada de todo o português e a escola que se é menos exigente, mais facilitadora, mais massificada, com menos trabalho dessas competências. 

Há dias o Ministro da Educação recordou que este governo vai investir em 400 bibliotecas escolares. Muito bem. Mas despois é preciso que não fiquem às moscas, como alguns museus que sobrevivem pelo empenho de quem lá trabalha, mas que são pouco visitados. É preciso mais dinâmica nestas dimensões que podem alavancar as competências e o conhecimento. 

Mais ainda do que a exigência da escola e de programas que possam contrariar esta tendência de quem pensa que tudo deve ser digital, é fundamental que os pais ou encarregados de educação participem mais na vida escolar dos seus educandos. As aprendizagens não se fazem apenas na escola, devem ser uma preocupação, no convívio familiar e social. Não basta a um pai perguntar ao filho se fez os trabalhos de casa. É fundamental participar mais, não apenas na vigilância do estudo, mas oferecer livros, obrigar a escrever, levar os filhos para experienciarem e consumirem cultura. 

Perde-se muito tempo com isso? É verdade, mas ganha-se um futuro melhor para os filhos.

Opinião

Francisco Fonseca
17 de Set de 2026 0

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