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Renascimento urbano, parte 3

OPINIÃO

"Quer queiramos quer não, o automóvel faz parte da paisagem urbana, e negá-lo é mau princípio".

Entre os muitos erros cometidos durante as intervenções urbanísticas de que a cidade foi objecto durante a última década, um há que me parece particularmente grave: o corte de trânsito no âmago da urbe, o Largo da Porta Nova. Quer queiramos quer não, o automóvel faz parte da paisagem urbana, e negá-lo é mau princípio. Evidentemente que os carros devem circular apenas onde possam coexistir com os peões, mas impedir o acesso automóvel ao centro é criar todas as condições para que as pessoas o troquem pela comodidade da garagem do prédio dos subúrbios, ou pelo parque de estacionamento do centro comercial mais próximo. E quem assim não pensa que atire a primeira pedra. O tempo deve ser de lançamento de ideias, e algumas delas são:

1. Reabertura do canal de circulação que separava, e bem, o Jardim das Barrocas, o Largo da Porta Nova e a Rua Direita. Este canal é fundamental tanto à circulação automóvel, quanto à identificação destes três importantes espaços da cidade, pois, amalgamados como estão, perdem força e identidade. Poder-se-ia aproveitar a oportunidade para ressuscitar o antigo Café Galo, o que Barcelos agradeceria.

2. Construção de dois parques de estacionamento subterrâneos que garantissem cómodo aparcamento tanto a quem se deslocasse ao centro histórico, quanto àqueles que decidissem aí viver ou trabalhar. O primeiro seria no antigo Largo dos Bombeiros, acedido através da rampa que actualmente o serve, aproveitando-se a ocasião para tratar a praça, cujas características acústicas e morfológicas permitiriam, por exemplo, usos relacionadas com as artes cénicas ao ar livre. O segundo parque de estacionamento seria construído na Praça de Pontevedra, uma vez que sacrificadas que estão as magníficas árvores que lá existiam, nada mais há a perder. Aproveitando a construção desse parque, o redesenho da praça deveria ser norteado pela criação de um espaço destinado a feiras eventuais de antiguidades, bric-a-brac, artesanato, etc.. Este espaço mais não seria que uma alameda que desaguaria no Mercado Municipal, qual deveria ver demolida a construção que o separa da Praça de Pontevedra, para que os dois espaços se ligassem num contínuo promenade.

Mas o que seria realmente desejável é que qualquer processo de revitalização da nossa cidade fosse alvo de um amplo debate, evitando-se assim repetir erros passados, quando tudo era feito em segredo, não fosse alguém discordar.

Opinião

Barcelos Popular
25 de Fev de 2010 0

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