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No rescaldo de mais umas eleições

Artigo de opinião de Jorge Araújo, Deputado Municipal do LIVRE

Estas eleições foram ganhas por José Seguro com uma vitoria histórica, alcançada pela esmagadora maioria de portugueses que confiam num presidente da República do centro-esquerda, uma pessoa que sempre se afirmou como um moderado, da esquerda moderada, do socialismo democrático. Os resultados esmagadores, ainda que enganadores, foram uma prova da resiliência democrática na sociedade portuguesa, fruto do que de bom construímos, nos últimos 50 anos.

Para alem da vitoria do Seguro e da esquerda, há também uma grande derrota, a do atual governo da direita neo-liberal, que se viu encurralado e sem coragem para se distanciar do candidato que anseia por 3 Salazares…e que agora promete tomar conta dessa mesma direita.

Pois bem, nestas eleições, não esteve só em causa presidente da república, alias, a certa altura até parecia ser algo secundário. Nestas eleições esteve em debate o modelo de democracia representativa, cunhado pela Constituição de 1976, que nos define como um país progressista, no caminho para a justiça e a igualdade de oportunidades, assente nos modelos de estado social. A nossa Constituição defende por um lado os valores da iniciativa privada, mas também coletiva, defende o estado de direito e a justa distribuição da riqueza, apoia na economia de mercado regulado, incentiva a economia social. acima de tudo defende a separação de poderes.

É neste último ponto que me quero concentrar. A separação de poderes é e sempre foi o garante de estabilidade e alternância das democracias modernas, muitas delas surgidas no rescaldo da segunda guerra mundial. Ora, a nossa Constituição de 1976, estabelece, de forma equilibrada, essa mesma separação de poderes: legislativo, executivo e judicial e, ao contrário do que se anda a apregoar, a nossa lei fundamental é o último dos entraves ao desenvolvimento social e económico de Portugal!

Permitam-me adicionar ainda o quarto poder, aquele capaz de fazer o escrutínio, assente na liberdade de qualidade e independência de quem o exerce: O Jornalismo – não confundir com a divulgação de conteúdos muitas vezes manipulados, não verificados e com a intenção de manipular a opinião publica, uma arma tao bem utilizada pelos partidos populistas. As táticas de manipulação da informação foram bem-sucedidas no passado, com destaque nonacional-socialismo fascista italiano dos anos 20 e no nacional-socialismo nazi alemão anos 30 e 40. Sem jornalismo livre e independente, não tenho dúvidas, as democracias não resistem, adoecem, enfraquecem e acabam por sucumbir ao lápis azul dos mais fortes.

É uma evidência que nos últimos anos, fenómeno acelerado com novas ferramentas de comunicação global, a desinformação e manipulação da verdade tem sido bem explorada pela nova extrema-direita portuguesa. Nestas eleições, mais do que nunca, discutiu-se e esmiuçou-se, até ao infinito, a ascensao do populismo em Portugal, da política da “pós-verdade”, da manipulação da verdade dos factos, da manipulação da história.

Estejamos atentos e que venham mais 50 anos de democracia!

Opinião

Jorge Araújo
13 de Fev de 2026 0

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