
A cidade sem maestro
Raramente Barcelos viveu, numa única noite, uma ag...
Fica assim Barcelos a saber o que pode esperar da sua actual Câmara relativamente à sua zona histórica: insensibilidade e desinteresse, associados a uma imensa falta de respeito pelo Tempo.
Apostada em deixar marca no nosso Centro Histórico, entendeu a Câmara Municipal levar por diante o abate do desgraçado Carvalho da Ponte. O abandono, o estado ruinoso em que se encontram tantos e tantos edifícios, o comércio que definha, o Teatro que não abre, a Casa da Azenha que para nada serve, as margens do rio que ninguém usa, a Torre de Menagem há tanto tempo fechada, etc., etc., são assuntos que nada lhe interessam; prioritário era destruir uma árvore a quem uma simples poda teria permitido continuar a marcar a entrada nobre da cidade por muitos e longos anos. Fica assim Barcelos a saber o que pode esperar da sua actual Câmara relativamente à sua zona histórica: insensibilidade e desinteresse, associados a uma imensa falta de respeito pelo Tempo.
Em memória da nossa mais importante e simbólica árvore, verdadeiro património colectivo que nos foi tirado, aqui deixo reproduzida uma das bandeirinhas distribuídas aos barcelenses aquando da visita do Senhor D. Manuel II a Barcelos, nos idos de 1908, e onde, centrando a composição, aparece garbosamente representado o Carvalho da Ponte.
Há 100 anos havia quem lhe reconhecesse valor. Agora é que não.
Barcelos,11 de Janeiro de 2012
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