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Os barcelenses é que pagam

De repente, o executivo de Fernando Reis olhou para os últimos vinte anos de governação autárquica, de sua exclusiva responsabilidade, e reparou que estava tudo por fazer. E assim, num assomo de investimento nunca visto em Barcelos, decidiu reabilitar tudo e mais alguma coisa e construir tudo e mais alguma coisa, como se tivesse descoberto, num simples instante, passadas duas penosas décadas, que o nosso concelho ficou para trás no desenvolvimento, quando comparado com todos aqueles que são seus vizinhos: Braga, Viana do Castelo, Guimarães, Famalicão, Póvoa de Varzim e Vila do Conde.

O executivo de Fernando Reis fez contas. Orçamentou em cerca de 54 milhões de euros as necessidades financeiras para realizar um pacote de obras que considerou fundamental em todo o concelho. Um valor muito próximo do orçamento anual da Câmara Municipal. Mais tarde, quando foi preciso que alguém fizesse as contas correctas pelo executivo de Fernando Reis, o orçamento subiu para cerca de 80 milhões de euros, valor correspondente a um aumento de 48%. Finalmente, através de uma parceria público-privada (PPP), entregou as obras a um consórcio do qual a Câmara detém uma posição minoritária, tendo o valor do orçamento subido para 200 milhões de euros. É inacreditável tanta falta de rigor!

Duzentos milhões de euros é muito dinheiro. Por metade dessa quantia, 100 milhões de euros, o executivo de Fernando Reis cedeu a concessão da rede de água e saneamento a uma empresa privada, no negócio mais desastroso da História de Barcelos. Argumentava, então, que 100 milhões de euros seriam uma cifra incomportável para os cofres do Município e, por isso, transferiu esse valor para o consumo de água e na instalação dos ramais, para grande benefício da empresa concessionária e grave prejuízo dos barcelenses. O raciocínio é cristalino: se a Câmara não pode ou não quer pagar, que paguem os barcelenses.

Curiosamente, depois do executivo de Fernando Reis achar que a Câmara não podia investir 100 milhões de euros em 30 anos para gerir a rede de água e saneamento, parece que, agora, o mesmo executivo acha que pode investir o dobro, 200 milhões de euros, também em 30 anos, num pacote de obras avulsas, gizadas sem qualquer critério de planeamento, para fazer o que nunca conseguiu realizar nos vinte anos em que esteve adormecido no poder.

Barcelos precisa urgentemente de bom investimento. Não está em causa o modelo de financiamento. Não há qualquer problema com as PPP. Há problemas, isso sim, na total ausência de coerência das decisões do executivo de Fernando Reis; na falta de uma visão adequada para o concelho; na carência de uma estratégia clara de desenvolvimento; e na inexistência de um plano minimamente coerente que conduza o concelho, pelo menos, para um plano equivalente ao dos seus vizinhos. Agora, em final de mandato, e passados vinte anos a governar Barcelos sem um rumo definido, ao sabor do vento e do momento, o executivo de Fernando Reis decide investir 200 milhões de euros para os próximos 30 anos, quando, como já dissemos, não esteve disponível para investir 100 milhões de euros na rede de água e saneamento, uma infra-estrutura básica e essencial que deveria ser a primeira prioridade. Não se compreende!

Ou melhor: até se compreende! Os 100 milhões de euros da rede de água e saneamento saem do bolso dos barcelenses. O pagamento está assegurado contra o consumo de um bem vital, que é a água, e das respectivas infra-estruturas. Os barcelenses é que pagam! Os 200 milhões de euros saem dos cofres da Câmara, que vai pagar uma renda mensal, à empresa constituída no âmbito da PPP. O problema desse pagamento fica para os vindouros, porque o tempo do executivo de Fernando Reis está a acabar. E, com o anúncio deste investimento, enchem-se os olhos e barriga dos barcelenses mais distraídos, a pouco tempo das eleições autárquicas. Conveniente, no mínimo.

É tudo fácil quando são os outros a pagar. E os outros, neste caso, somos todos nós: os cidadãos barcelenses!

Opinião

Barcelos Popular
11 de Set de 2009 0

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