Gostar de Barcelos
É evidente que Barcelos vive há já vários anos num clima de estagnação que sendo perigoso em termos desenvolvimentais e sociais é profundamente lamentável. Basta comparar com os concelhos vizinhos para termos indicadores e evidências.
É evidente também que este estado é da responsabilidade de quem nos geriu durante três décadas, o PSD, com a colaboração dos vários governos que se foram sucedendo, na sua grande maioria do PSD e do PS: o centrão. Prometer qualidade de vida, quando a única coisa que se permite aos barcelenses é “sobreviver”, e mal, é uma grande falta de decência.
Muito ao de leve e aleatoriamente algumas questões que, na minha opinião, contribuem para este subdesenvolvimento:
Podemos começar pela cultura democrática: a excessiva dependência das juntas de freguesia em relação à Câmara inibe muitos presidentes de junta de se pronunciarem, reduzindo a democraticidade da Assembleia Municipal. Em muitas freguesias, passados 35 anos do 25 de Abril, continua a viver-se um clima de medo e intimidação que inibe a participação cívica de muitos cidadãos.
O ataque dos partidos maioritários sobre tudo o que mexe em termos políticos para entrarem nas suas listas, a falta de decência de quem convida e de quem aceita! Como são muitos casos, comenta-se depois que os políticos são todos iguais, mas não são. Também há excelentes políticos e autarcas em todos os partidos…
Em relação ao social, o trabalho tem sido credível, mas insuficiente. Os problemas não se resolvem pondo-lhes dinheiro em cima. E neste momento sabemos que há muita gente a necessitar de ajuda, e deve ser-lhes concedida, mas também há muitos mais que fazem dessas ajudas um modo de vida, muitas vezes sem qualquer avaliação ou exigência!
O que tem sido feito, e é de louvar, é insuficiente enquanto não conseguirmos alcançar a inclusão social. E aqui é necessário apoiar muito mais as IPSS, que conhecem melhor que ninguém a realidade concelhia. Torna-se cada vez mais necessário adoptar processos de inclusão social ajustados ao meio social, “ouvindo” as necessidades reais das pessoas e de toda a comunidade e não decidindo por eles e para eles, sem eles… O problema está no funcionamento da política e da economia desfocado das necessidades das pessoas.
Divisão administrativa do concelho: A actual situação constitui um entrave ao desenvolvimento do concelho; 89 freguesias constitui uma divisão demasiado fragmentada e pouco funcional.
É necessário que o agrupamento de freguesias em estruturas funcionais para a organização de actividades, organização da rede de equipamentos colectivos e transportes seja uma realidade. Sem perder a identidade é necessário que funcionem as parcerias.
Em relação à educação, se nos podemos orgulhar da rede pré-escolar, a partir daí é quase só problemas. Condições dos edifícios escolares, abandono, insucesso… um exemplo a não seguir.
Outro exemplo a não seguir é o planeamento, sobretudo relacionado com as obras. Umas, quase todas, demoram muitíssimo mais tempo que o previsto, outras vão ser feitas agora a correr: ambas com custos muito mais elevados que todos nós iremos pagar.
O relatório da Inspecção-Geral das Finanças mostra sobejamente as irregularidades e os desequilíbrios e as empresas municipais como sorvedouro de dinheiros públicos e distribuição de empregos por alguns…
O Turismo e a falta de aproveitamento dos recursos locais e de parcerias por exemplo com o Parque da Peneda-Gerês e com o concelho de Esposende que poderiam garantir a Barcelos um complemento em relação a essas zonas… Nada! O artesanato que, apesar dos esforços feitos, ainda não é tratado de forma tão digna como merece o esforço e a criatividade dos nossos artesãos…
As taxas máximas municipais que durante anos e anos foram sendo aprovadas pela maioria social-democrata, penalizando sempre os barcelenses.
Os preços vergonhosos que pagamos pela água e que o executivo não soube ou não quis acautelar.
As obras contempladas nas PPP que comprometem o futuro de uma geração. Decisões tomadas no silêncio dos deuses, sem auscultar os barcelenses sobre as reais necessidades!
Foram opções políticas. Muitas são diferentes das nossas e são essas que contestamos.
Os últimos resultados eleitorais no concelho reforçaram a credibilidade da alternativa que somos e representamos. Também no CDS há espaço para o descontentamento de todos os que não querem mais do mesmo: PSD ou PS que, embora diferentes, convergem em muitas situações penalizadoras para os barcelenses e para os portugueses.
Concluindo, Barcelos precisa mesmo de perder a maioria absoluta do PSD, sem a dar ao PS. Só mudavam as caras!
Barcelos precisa mesmo e sobretudo, há muito tempo, é de quem goste de Barcelos! Conto consigo!
