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E Pontevedra aqui tão perto…

OPINIÃO

"Não haverá em Portugal região com mais semelhanças com o Minho do que a Galiza, sendo certo também que em toda a Espanha nada se assemelha mais com esta do que a nossa região".

Completam-se neste 2011, por altura das Cruzes, quarenta anos sobre a geminação de Barcelos e Pontevedra, acto consubstanciado na nossa toponímia através de uma praça com o nome dessa cidade galega, a qual, retribuindo a distinção, baptizou uma das suas com o nome de Barcelos. Para além deste momento fundador, bem como algumas iniciativas que na época foram levadas a efeito pelos seus obreiros, pouco mais aconteceu nestas quatro décadas, não obstante a proximidade geográfica e as afinidades culturais, linguísticas, sociais, económicas, históricas, e até religiosas.

Como causa primeira para este desinteresse poder-se-á apontar a ocorrência do 25 de Abril pouco tempo depois da geminação, e com ele a rejeição de tudo o que para trás havia sido construído, ainda para mais com a Espanha de Franco, a qual, por seu turno, com a serena passagem para a democracia, protagonizada pelo seu Rei a partir de 76, dedicou-se mais ao seu próprio desenvolvimento do que em aprofundar raízes com um vizinho que nesse tempo era companhia pouco recomendável.

E assim, tal como uma planta que não é regada, a coisa murchou. E foi pena, pois poucas serão as geminações tão antigas quanto esta, e poucas serão aquelas que tão esquecidas permanecem, quando tanto teriam a lucrar com a sua aliança.

Não haverá em Portugal região com mais semelhanças com o Minho do que a Galiza, sendo certo também que em toda a Espanha nada se assemelha mais com esta do que a nossa região; para além de estarmos entre as mais pobres de ambas as pátrias, motivo que, embora pouco lisonjeiro, deveria por si só ser suficiente para que uníssemos as nossas forças, temos uma geografia contínua, onde apenas o atravessamento de um rio nos lembra que estamos a entrar num outro país, falamos com igual desprezo pelo "v", testemunho da génese comum galaico-portuguesa, e, ainda por cima, não morremos de amores por castelhanos… As semelhanças são muitas e de há muitos anos, o que torna ainda mais incompreensível o estado letárgico em que se encontram as relações entre os dois municípios, sem que ninguém, de um lado ou do outro, dê o primeiro passo para reatar esta ligação que em tão boa hora alguém, faz agora quarenta anos, se lembrou de estabelecer.

Post scriptum: Em homenagem à geminação entre Barcelos e Pontevedra, disputa-se desde 2009 no Clube de Tiro de Fervença, e por iniciativa deste, a 1 de Maio, e integrada no programa da Festa das Cruzes, uma prova de tiro com armas históricas denominada Taça Cidade de Pontevedra. Esta prova, pela dimensão que atingiu, sendo uma das que mais atiradores da especialidade reúne em Portugal, integra este ano o ranking nacional da Federação Portuguesa de Tiro. Uma outra prova em idênticos moldes disputa-se em Pontevedra, habitualmente em Julho, e a que se chamou Taça Cidade de Barcelos. Julgo serem estas as únicas iniciativas que, actualmente, mantêm acesa a ténue chama desta fraternidade.

Apesar de tudo, é pouco.

Opinião

Barcelos Popular
24 de Mar de 2011 0

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