
É urgente Abril
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"Os portugueses e as portuguesas não se podem deixar embarcar em fatalismos. Há alternativas ao que nos querem impor".
Observava Eça de Queirós, no final do Século XIX, que "em Portugal não há ciência de governar nem há ciência de organizar oposição." E se é um facto que os sucessivos elencos governativos e parlamentares portugueses só têm demonstrado o quão igual continua o Portugal de hoje ao então retratado por Eça, um rasgo de esperança parece surgir no horizonte.
O PCP e o BE reúnem amanhã com o objectivo anunciado de estabelecer convergências programáticas rumo a um futuro Governo democrático de esquerda. Os homens e mulheres de esquerda deste país anseiam que do encontro saiam as bases de um entendimento que crie condições para a criação pré ou pós eleitoral de uma grande plataforma política de esquerda que agregue todos quantos não se revêem nesta sociedade neoliberal em que o Homem é cada vez menos o primado da economia e cada vez mais sua vítima. Todos esperamos que esta reunião seja a génese de um novo movimento aberto a todos os homens e mulheres humanistas que, transcendendo a soma das partes, no seu conjunto façam de Portugal um país mais justo e solidário.
Nunca como hoje a discussão ideológica em torno de esquerda e direita se afigurou tão importante. E não tenhamos dúvidas de que só um Governo de esquerda, fiel a princípios humanistas que a direita nunca defenderá, poderá levar a cabo um projecto democrático que esbata desigualdades sociais e crie um clima de fraternidade, essencial para que o país produza e se desenvolva.
Os portugueses e as portuguesas não se podem deixar embarcar em fatalismos. Há alternativas ao que nos querem impor.
Se a austeridade é uma inevitabilidade, pois então que o sacrifício seja uma oportunidade de ruptura e mudança. Como disse Aristóteles: "no fundo de um buraco ou de um poço, acontece descobrir-se as estrelas". Seja este o tempo de construir um novo paradigma de desenvolvimento, assente numa economia social onde o Homem seja um fim em si mesmo e não um instrumento ao serviço de fins de alguns homens.
Com a ruína do sector financeiro e a falência da economia, faliu também o neoliberalismo enquanto ideologia. Mas de forma autista, paranóica até, os governantes mundiais e europeus recusam-se a aceitar esta realidade.
Os portugueses e as portuguesas têm de perceber que o seu contributo é essencial para que a ruptura seja feita pela expressão máxima da democracia: o voto.
E aqui manifesto o meu cepticismo. Para a esmagadora maioria do povo português, o Estado é uma entidade abstracta com fundos ilimitados que tem a obrigação de assistir os cidadãos mas para com a qual esses cidadãos não se sentem obrigados.
Assim, o povo português assume-se parte do Estado quando da sua assistência necessita, mas exclui-se dele quando é chamado a assumir a sua quota-parte de responsabilidade; é do PSD ou do PS como quem é do Porto ou do Benfica. Até é capaz de criticar o seu clube, mas nunca irá apoiar outra equipa.
É imperioso que os homens e mulheres deste país compreendam que as suas escolhas políticas não podem ser uma questão de fé. A mudança necessária tem de partir de cada um de nós e ninguém tem o direito de se excluir.
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