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La Salle
Um colégio aberto à sociedade

O Colégio de La Salle está em Barcelinhos há 58 anos.

Dois anos depois de ter completado 75 anos de presença em Portugal, Barcelos tem também grande relevância no universo lassalista. Instalado em Barcelos há 58 anos, o Colégio La Salle é actualmente dos poucos que resistiram ao desaparecimento. Depois das presenças dos Irmãos no Porto, Lamego e Abrantes terem "caído", restam Barcelos e Braga.

Na longa história da instituição, José Durães aparece de forma quase improvável. Não foi aluno, muito menos Irmão. é professor e o "convite" para assumir o cargo de director pedagógico apareceu, como o próprio disse na conversa que teve com o BP, de forma natural: "Foi uma necessidade", disse, logo acompanhado pela professora Carla Figueiredo, coordenadora do 2º ciclo: "O facto de cada vez existirem menos Irmãos, e os que existem também se tornarem cada vez mais idosos, é uma realidade que tem acontecido em vários colégios", disse a docente que defendeu, ainda, que esta é uma prática seguida nos restantes estabelecimentos de ensino, "mantendo a ideologia.

Aos poucos, em vários colegios vai-se passando a direcção para professores. Foi um processo natural, encarado com naturalidade, até pelos pais".

Mas a importância dos Irmãos não é descorada pelos dois dirigentes. Tanto em termos de testemunho como de dinâmica do próprio colégio: "Nós conseguimos com a presença dos Irmãos trazer aqui muita gente. Não só nos dias das actividades curriculares mas fora disso", sublinhou Durães.

Dificuldade em formar

Irmãos

Apesar de ainda ser um dos objectivos do La Salle, a formação de Irmãos é, a cada ano que passa, uma tarefa mais difícil. As razões são várias, e não específicas do concelho.

A sociedade de hoje em dia tem outros "apelos", lamentou, de certa forma, Carla Figueiredo. Apesar do "trabalho forte" dos grupos cristãos do colégio e "uma pastoral muito desenvolvida", o que é certo é que não tem havido casos de formação de Irmãos: "Não conseguimos formar nenhum Irmão mas acho que formámos pessoas de uma forma integral, em termos de valores que são muito importantes para eles", acrescentou Durães.

50 em lista de espera para entrar no colégio

Mas não é apenas na parte espiritual que o La Salle pretende investir. É também na académica. A direcção lamentou o facto de não lhes ser permitido aumentar o número de alunos (530). A DREN impôs o acutal tecto, mas os responsáveis do colégio sentem que muito mais podia ser feito: "Neste momento, se quiséssemos, tinhamos alunos para fazermos, no mínimo, cinco turmas no 5º ano".

Actualmente tiveram de ser recusados entre 40 a 50 pedidos, garantiram ao BP os dois directores. Logo, o La Salle no próximo ano lectivo continuará a funcionar com três turmas em cada ano do ensino básico e uma em cada ano do secundário.

 

La Salle e a comunidade

O Colégio La Salle foi, quase sempre, um espaço aberto à comunidade. A relação com Barcelinhos ganhou novo fôlego, sobretudo quando a freguesia deixou de ter três escolas do Primeiro Ciclo, há cerca de quatro anos: "Até essa altura – disse-nos Durães – só podiam vir para cá alunos de uma escola, com o agrupar das três recebemos mais alunos de Barcelinhos".

A importância e impacto local do colégio estende-se às freguesias vizinhas de Santa Eugénia, Adães e Areias de Vilar.

Para os seus responsáveis, o facto do estabelecimento se inserir entre o meio rural e o urbano "favorece o encontro espontâneo de culturas e classes sociais diversas, o que pode contribuir para a partilha de valores e respeito pela cultura do outro".

Até 1977 o La Salle tinha como objectivo principal a preparação de jovens para serem Irmãos, no entanto factores como o 25 de Abril aceleraram a saída de jovens para outras instituições, como o Colégio de S. Caetano, em Braga, o que "obrigou" a um reformular de estratégia educativa.

Em 1981, o Irmão Moutinho fez regressar ao colégio duas turmas de 5º ano de escolaridade.

 

Encontro de gerações

Há cerca de sete anos que a Sopro –organização não governamental que trabalha com base no voluntariado e é apoiada pelo Colégio La Salle– envia um grupo de voluntarios para acções de solidariedade em Moçambique. A aldeia de Chipamca é o projecto mais conhecido, que tem consistido na oferta de formação escolar e refeições gratuitas a crianças da comunidade.

Mas as acções em Moçambique não se ficam por aqui. Formação de professores, programas de promoção da saúde, intervenções para a melhorias dos serviços locais de refeitórios, bibliotecas e laboratórios são alguns dos "trabalhos" dos voluntários que todos os anos abdicam das férias para, de forma altruista, ajudar quem mais precisa.

Angariação de fundos no sábado

Tendo já sido seleccionado o grupo que em finais de Julho, inícios de Agosto, parte para África, este sábado o colégio recebeu mais uma iniciativa de angariação de fundos para custear esta acção de solidariedade.

Mas sábado não foi apenas dia da Sopro. O colégio foi palco de mais diversas iniciativas que acabaram por juntar nas suas instalações mais de duzentas pessoas.

Para além daquele que foi o 14º convívio dos Amigos do La Salle - Anos 60, houve, ainda, o encontro de fim de ano habitualmente organizado pela Associação de Pais. Para José Durães, estes encontros demonstram a "forte ligação" que fica entre antigos alunos, Irmãos e restante comunidade.

Colégio que não pára

"Aos fins de semana temos aí muita gente, inclusive pessoas de outras escolas, quando falamos em grupos cristãos estamos a fazer referência a isso mesmo. Fazemos intercâmbios com os colégios de Espanha". Ou seja, o movimento que o La Salle teve no passado sábado não foi um acto excepcional. "O colégio nunca está morto, está sempre com vida, não pára", concluiu o director.

 

Pavilhão gimnodesportivo

É a última granda obra do Colégio La Salle, daquelas de "encher o olho". O pavilhão gimnodesportivo não passa despercebido a ninguém. Não só pelo seu aspecto exterior como pelas condições únicas que oferce para quase todo o tipo de desportos, sendo, neste momento, talvez o melhor gimnodesportivo do concelho de Barcelos.

No passado fim-de-semana foram mais de cem participantes num torneio de voleibol, com várias provas a decorrerem em simultâneo. Apesar dessas condições excepcionais, José Durães garantiu que não é pretensão do colégio utilizar a infra-estrutura como fonte de receita. Nunca foi esse o espírito das obras da instituição, lembrou.

Apesar de não se ter falado em valores, o director adiantou que a curto-médio prazo não haverá mais investimentos do género, sendo que a principal aposta continuará a ser a aposta nos valores lassalianos e na formação dos seus alunos. Obras que não "enchem" tanto o olho das pessoas, é verdade, mas que contribuam para aquilo que os Irmãos consideram mais importante.

 

Projecto Educativo La Sallista

- Participação do aluno nos processos ensino-aprendizagem.

- Importância às capacidades criativas e espírito crítico do aluno.

- Avaliação sistemática dos processos de ensino-aprendizagem e das estruturas colegiais.

 

- Formação de valores éticos, como a honestidade pessoal, a sinceridade, a responsabilidade no trabalho e a participação desinteressada na acção educativa.

- Modelo aberto à transcendência, baseado no valor transformante da religião.

- Criação de um ambiente de fraternidade, amizade e de abertura a todos, dando especial atenção aos desafios lançados pela cultura.

- Colaboração dos pais na execução dos objectivos educativos.

(fonte: www.lasalle.pt) 

Autor: Pedro Granja
Quinta-feira, 08 de Julho de 2010 - 16:23:18

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