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Multimédia
Barcelense cria primeira empresa de filmes 3D em Portugal

O barcelense Marco Neiva, de 24 anos, quer abrir em Janeiro a primeira empresa nacional de filmes 3D.

Marco Neiva, de 24 anos, natural de Feitos e licenciado em Computação Gráfica e Multimédia pelo Instituto Politécnico de Viana do Castelo, quer abrir em Janeiro a primeira empresa de produção de filmes a três dimensões (3D) em Portugal. Deve chamar-se Hypercube – Produções Estereocópicas. "Hipercubo é o cubo na quarta dimensão, só existe na teoria, é inatingível", explica o jovem.

O seu projecto foi premiado no Poliempreende – Concurso de Empreendedorismo dos Politécnicos Portugueses, com incentivo de 2000 euros e ajudas para criar o plano de negócios.

"Beowulf" foi o primeiro filme 3D que viu há dois anos, em Braga. "Fiquei tão entusiasmado que decidi apostar. Nada se fazia cá, era uma oportunidade de trabalho e juntava audiovisual, animação por computador, interactividade, o que me cativou. Comprei óculos e monitor 3D, no estrangeiro, e em Janeiro de 2008 tinha duas câmaras pequenas para testes. Demonstrei a colegas de curso, era tudo novo, nem o professor sabia, e decidi fazer tese na área: a primeira parte consistia em recolher material e investigar, a segunda em produzir um filme ['Viagem às Maravilhas de Barcelos'] e a terceira no plano de negócios. Acabei por fazer o primeiro conteúdo em Portugal em 3D, alta definição e cenário real ['live action']. O filme é ainda o primeiro no país em formato Blu-ray 3D."

Palestras à SIC e RTP,

masterclass

em Lisboa

Algumas empresas do ramo fizeram download da película de 15 minutos e uma pediu para levá-lo na Primavera ao National Association of Broadcasters Show, em Las Vegas (EUA), o maior evento do mundo ligado ao audiovisual.

Aceitou e a adesão do público "foi excelente". O documentário homenageia o património edificado e o concurso "7 Maravilhas", criado pela Câmara e o CNE.

Entretanto, Marco Neiva foi convidado em Setembro pela Sony Portugal para dar palestras no Porto e Lisboa a realizadores e produtoras, como a SIC e RTP.

O evento Sony Star RoadShow percorre a Europa. Fez depois um filme para a Câmara de Torres Vedras e a abertura do Espaço Guimarães, entre outros. Em Janeiro dá um masterclass numa escola particular de Lisboa. Já revelou o potencial das aplicações da tecnologia tridimensional em cursos de Marketing e Turismo, como no IPCA. E levou o fenómeno 3D à "Barcelos LanParty" e "XL Party Porto".

"Não tenho formação além do curso e do muito que investiguei em dois anos, nada havia escrito em português sobre estereoscopia", vinca Marco Neiva, humilde. "Sou sozinho: capto imagem, realizo, edito online. Tudo o que faço ou sei não tenho problema em revelar, estou-me a tornar parceiro em vez de concorrente", continua.

Criou, por exemplo, o fórum estereoscopia3d.wordpress.com e igualmente o evento www.3dingames.com. A curto prazo não tenciona inventar nada, mas integrar tecnologia software e hardware, como os videojogos em salas de cinema e fazer aplicações no Google Earth para projecção tridimensional.

Salas digitais

crescem

A ZON Lusomundo quer ter no fim de 2010 todas as suas salas de cinema nacionais 100% digitais, dando uma experiência de altíssima definição de som/imagem e alargando a oferta a conteúdos alternativos, como concertos ao vivo ou transmissão satélite de eventos, como o Mundial de Futebol e Olimpíadas. Após o som e a cor, a massificação do 3D é nos últimos 70 anos "a maior conquista" na sétima arte. Curiosamente, "Power of Love" (1922) foi o primeiro filme 3D, mas de tecnologia má. Os títulos "Avatar", "Tintin", "Shrek 4" e "Toy Story 3" já terão RealD. Em Janeiro haverá um canal de TV inglês em 3D; em Portugal demorará, exige público. Já os gadjets 3D dispararam. E os videojogos pululam: "Burnout Paradise", Resident Evil 5", "GT 5", mas exigem PC artilhado.

Perceber

o fenómeno

Quando se vê um filme 3D sem os óculos polarizados não se percebe a tela, porque na verdade são projectadas duas imagens, ligeiramente diferentes – com os óculos postos, cada olho vê uma das imagens, uma a vermelho e outra a ciano. E como os objectos saem da tela?

É natural do cérebro e da visão humana. Temos dois olhos e, ao fecharmos um, perdemos a tridimensionalidade. Aliás, os olhos têm distância entre si e o cérebro compreende-o, acentuando a volumetria e profundidade.

 

 

Também se faz bandas sonoras

Várias bandas locais também compõem para filmes. A criação despontou com a associação cultural Zoom, que convidou os BiarooZ para musicar "Nosferatu" (1922), de FW Murnau, depois Benedito Carvalho para "Tempos Modernos" (1936), de Charlie Chaplin, e os Nikouala para "O Maquinista" (1927), de Buster Keaton. A ideia era a cidade ser também exportadora e não apenas consumidora. Os projectos consolidaram-se e mais tarde actuaram até em Espanha várias vezes, como Nikouala.

Este dueto instrumental até se iniciou a compor na peça teatral "Petit Monstre", de Jasmine Dubé. Aventurou-se então em composições e captação/gravação de elementos de sonoplastia e musicou "Não Contes o Segredo" (2006), do Festival Fast Forward, o trailer "RGB Concept" (2008) ou a performance "Pelerrisco", de André Martins. Os BiarooZ vestiram "Viagem à Lua" (1902), de Georges Mèliès, a convite do Cineclube de Joane e para o Festival de Cinema de Ficção Científica.

Essa película foi também sonorizada pelos la la la ressonance, mas para as Curtas de Vila do Conde. O grupo musicou curtas-metragens de animação do japonês Osamu Tesuka e do neo-zelandês Len Lye para o festival luso-galaico Filmiño. "The Long Overtone" está na fita homónima de Miguel Machado, levada a festivais de Roterdão, Lille e Praga. Segue-se "Fausto" (1926), de Murnau.

"Entrámos nisto fruto de coincidências, porque a editora nos deu oportunidade no disco e o Miguel fez um filme. Osuka coincidiu com as Curtas, o Len também. Não entendemos que a música é cinematográfica, mas as pessoas acabam por nos motivar", disse André Simão. The Partisan Seed criou o som da "promo" da Adriminho, que corre feiras internacionais. E os Indignu querem "algo especial a nível visual" na faixa "Curta-metragem" do futuro álbum de longa-duração.

 

Miguel Machado: da Coreia ao Uruguai

Estudou cinema no Instituto Politécnico do Porto, na Universidade de Valladolid e na Universidade Pompeu Fabra, em Barcelona, onde vive. Realizou quatro curtas-metragens: "The Long Overtone" (2006), "Intérieur Sur Fond" (2007), "Bar, Street" (2008) e "And Then You Smile" (2008). Foram exibidas em Portugal, Espanha, Itália, França, Alemanha, Holanda, Inglaterra, Irlanda, Lituânia, Sérvia, Dinamarca, República Checa, Hungria, Uruguai, Coreia do Sul, EUA. "The Long Overtone" foi premiado no Directors Lounge de Berlim. Fez ainda os dois filmes de promoção do primeiro álbum dos la la la ressonance e participou nos dois filmes-concerto que iniciaram a "tour" da banda. Em 2010 lança três filmes: "Film For Barbershops", produzido na Holanda, cuja sinopse é "Um homem com malas. Está bom tempo"; "L'Homme Au Chapeau", feito em França, é uma animação abstracta; "Prática Cinética II", realizado em Espanha, é uma retórica da dissolução. "Não cumpro o cliché do jovem que filmava tudo. Aos 21, 22 anos fui atacado por cinefilia aguda e aos 27 decidi ser realizador, demorei dois anos a construir o primeiro filme", refere. A sétima arte em Barcelos "padece do seu tamanho e desejo pequeno-burgês; não obstante, cabe a cada um desenvolver o processo de resistência, para aí viver é preciso esquecer Barcelos e recomeçar, como no cinema".

 

Carlos Araújo: um autodidacta puro

Cumpriu um sonho de criança ao adquirir há 15 anos, quando o filho nasceu, uma máquina de filmar, "foi quase 200 contos". Autodidacta, começou nas reportagens sociais, "a grande escola, reage-se em tempo real, arrisca-se e improvisa-se". Colaborou com a produtora Take 5, fez reportagens para a RTP2, AXN e SporTV, fez peças para a CP, Refer e Neopul, até na Irlanda, rodou na Amazónia com o projecto "Barcelos Aquém e Além do Atlântico" apoiado pela EMEC e é dono há dois anos da Barcelos TV. Arriscou nos festivais de filmes de turismo: em 2009 a Academia Polaca premiou-o por "Amorgos, Island of sky" (Grécia) e "Plock, Art & Tourism" (Polónia). O documentário "Vila Franca do Lima, Terra da Flor" teve o Prémio do Público no mesmo Art&Tur. A organização quer levar-lhe "Life in Baía", relativo à aldeia da ilha de Santiago (Cabo Verde) e apoiado pelo Rotary Club, pelo roteiro cinéfilo mundial e a Cabo Verde, com músicos e ONG. "Com a câmara na mão perco-me; adoro cultura, paisagens, o lado humano", diz o fã dos cenários da novela "Pantanal" e séries "National Geographic". Faz desde edição a pós-produção: "Neste meio pequeno, dispendioso e sem apoios há que ser polivalente". Escreveu uma "curta" sobre violência doméstica nas elites, quer acabar um documentário da Festa das Cruzes e voltar aos indígenas da Amazónia.

Autor: Nuno Passos
Quinta-feira, 17 de Dezembro de 2009 - 12:03:56

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