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Manuel Vilas Boas, jornalista da TSF
"Segui o Papa em mais de vinte viagens"

Manuel Vilas Boas, natural de Pedra Furada, jornalista da TSF e padre por vocação, sustenta que a Igreja a que pertence esmola de mais.

Manuel Vilas Boas é o jornalista mais mediático de Barcelos. Com 59 anos e natural de Pedra Furada, faz rádio (TSF), imprensa (Visão) e TV (RTP). Foi perseguido pela PIDE, co-fundou o programa “70x7” e, enquanto padre, diz que a Igreja esmola demais.

Sente-se barcelense?
Tenho orgulho desmedido pelas minhas raízes. Aplaudo o Gil Vicente e o FC Porto.

Que pensa da cidade?
Gosto do jeito maneirinho e do centro histórico, deve ser preservado. É pena que a nova cidade não seja bela como as estruturas antigas da cidade, debruçada no Cávado, mas de pontes pindéricas, miseravelmente apertadas. A juventude põe graffiti em qualquer lado, falta limpeza, respeito pela arte local. O Campo da Feira não pode ser latada de carros. Que venha arte para a cidade, a cidade nasceu daí.

Como chegou a padre?
É inédito na família. Deve-se à professora primária Justina Mota, austera, religiosa. Fui o filho que nunca teve, inculcou-me os valores. Quando criança, ao brincar às casinhas, pediam-me para dar o sermão. Outra vez, o prior adoeceu e disse: “Descanse que venho substituí-lo” [risos].

Onde se formou?
Na Sociedade Missionária da Boa Nova. Fui docente no Colégio de António Enes [hoje Angoche], Moçambique, onde era bispo de Nampula D. Manuel Vieira Pinto, que me ordenou em 1974.
Passei lá o 25 de Abril – fazia compasso pascal e ouvi à noite a rádio. As mulheres gritavam “Vêm aí os turras”. Era o fim do império. Foi bom, a polícia política perseguia-me, pelas ligações ao bispo, defensor da independência. Era urgente libertar o povo. Hoje ainda celebro missa.
Fiz há dias o compasso pascal na terra.

Na altura voltou a Lisboa
Logo. Recusei o Brasil e ingressei no Grupo de Pesquisa Audiovisual e Centro de Produção Audiovisual, para comunicação e ensino. Pretendia intervir na mudança dos eixos da sociedade. Não o poder, mas onde se pode decidir, intervir, fazer História com a nossa assinatura. O jornalismo nasce na vocação missionária, a vontade de comunicar e conhecer o mundo. Iniciei-me na Rádio Renascença, no Porto. Em 1968 fui pedreiro nas Aldeias SOS em Bicesse (Estoril). O padre António Rego e o monsenhor Cruz, de Cristelo e fundador da Renascença, contactaram-me. O meu programa “Diálogo” teve três vezes o lápis azul da censura.

Onde se formou?
Tive o mestre Pierre Babin na Universidade Católica de Lyon (França) e cá fiz o único curso de jornalismo, da Escola Superior de Meios e Comunicação Social de Lisboa. Era estudante-trabalhador, tenho aversão a esmolas. A Igreja vive muito disso e as esmolas nem sempre são libertadoras. Sinto-me criador em Portugal da comunicação da Igreja pelos audiovisuais. O seu mal foi privilegiar o circuito interno e mal “fala” para fora.

A Igreja é tradicional, conservadora?
Não está para arrumar tradições, seria irresponsável. E só é conservador quem não tem amor pelo futuro e respeito pelo presente. Haja inteligência e honestidade intelectual.

Como atingiu a RTP?
Em 1977, ainda a preto e branco. Estreei-me a 18 de Outubro de 1979, em entrevistas de rua sobre o programa “70x7”, que criei com António Rego. Um polícia disse: “‘70x7’ são 14” [risos]. Fundei em 1986 a Logomedia e, em 1988, o Emídio Rangel chamou-me à equipa fundadora da TSF, onde estou na área eclesial e cultural – fiz “Hora da Terra”, “7 Maravilhas de Portugal” e faço “Encontros com o Património”, com o IGESPAR. Antes, em 1980, estive cinco meses na RDP, fui “corrido” por um comentário corajoso sobre a morte de Óscar Romero. Houve até um pedido na Assembleia da República para ser reintegrado. Fui convidado pelo semanário “O Jornal “, onde continuo na “Visão”.

Considera-se polémico?
Não. Há posições que faço questão de não ficar com elas.

Quem gostou mais de entrevistar?
Anónimos. Entrevistei quase todos os responsáveis da Igreja em Portugal. Segui o Papa mais de vinte viagens: Cuba, Angola, Jerusalém, Tirana, Rússia, Equador, Praga, Macau. Não passam 15 dias em que pegue na mala e ande, vivo do imprevisto. O meu primeiro voo foi em 1969, com três colegas para apanhar tabaco no Canadá, a pedido de um emigrante de Negreiros. Foram 45 dias escravizantes, mas foi o modo de ver Empire State Building (EUA) e tive trocos para trazer um ferro eléctrico para a mãe.

Desde 2005 presidiu ao Conselho Deontológico do Sindicato dos Jornalistas.
Foi doloroso perceber a profissão na sua fragilidade. É pena as asneiras diárias, às vezes não assumidas, a falta de responsabilidade e de consciência ao cometê-las. Se não há mais respeito, deve-se ao jornalismo medíocre.

Autor: Nuno Passos
Quinta-feira, 27 de Março de 2008 - 19:18:42

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COMENTÁRIOS
De: Joao norte em Domingo, 11 de Novembro de 2012 às 19:18:42

Manuel vilas boas como me recordo dele em Antonio enes .ha anos que ando a procurator do meu antigo professor para o comprimentar so que a vida nos levou por caminhos diferentes eu nos states ele a fazer o que mais gostava jornalismo e ser padre ..por favor poderiam me dar o seu contacto para eu poder falar con ele a Mais de 20 e tal anos que o procuro muito agradecido se me podessem fazer esse favor joao. Norte o meu email .. Norte123@aol.com

De: Antonio Duarte em Quinta-feira, 12 de Fevereiro de 2009 às 19:18:42

Grande senhor dos audio visuais .conheço o Pe Vilas Boas há perto de 40 anos e permanece igual a si próprio .foi meu professor e é meu amigo desde então .lembro-me dele e de D.Manuel Vieira Pinto , eu estava lá ,estava com ele no dia em que foi censurado na antiga RDP com o programa sobre D.Oscar Romero .tenho acompanhado o seu percurso e só quero que continue igual a ele proprio.
um abraço
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